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Festa do Divino

Segundo a Cultuar (Fundação de Cultura de Angra dos Reis), não há um registro preciso de quando a festa começou. Sabe-se que foi introduzida na cidade em meados do século XIV, na era colonial, e que Angra é um dos últimos municípios brasileiros que ainda apresentam essas danças.

- A procura está aumentando e já temos muitos inscritos. Quem dança uma vez sempre retorna ou traz um amigo. Entre o fim dos anos 80 e início dos 90, quando a festa foi resgatada pela prefeitura, as inscrições eram muito mais disputadas - lembra o presidente da Cultuar, Roberto Peixoto.

Ele recorda que a Dança dos Coquinhos (só de crianças) era a mais procurada - tendo, muitas vezes, as vagas esgotadas no primeiro dia de inscrições. Naquela época, não eram raras filas de espera, chegando a ser formado, certa vez, um segundo grupo de Coquinhos.      

- As mães iam para a fila no início da madrugada para garantir a vaga dos filhos na Dança dos Coquinhos. Hoje a situação é diferente, as filas já não existem, mas as danças nunca deixaram de acontecer. Os grupos sempre se apresentam com o número completo de dançarinos - ressalta o presidente.

Segundo Peixoto, o encantamento das crianças era tanto que nos anos 90 um grupo de dançarinos dos Coquinhos da Enseada reproduziu toda a festa na comunidade. Durante cincos anos, sem a ajuda dos adultos, eles interpretaram a chegada do Menino Imperador, fizeram danças, passeatas e até missas na igreja, com o apoio do padre. A festa na comunidade, batizada de Tributo ao Divino Espírito Santo, era toda realizada por crianças - salvo a ajuda da comunidade, das mães e familiares, que davam uma mãozinha na preparação das comidas.         

- A prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura (hoje Cultuar), emprestava as roupas das danças e do Menino Imperador. O diferencial é que todos os grupos de danças eram compostos por crianças. Na época, o tributo chegou a fazer parte do calendário cultural da secretaria - conta Peixoto.

Atualmente, a festa é realizada por uma parceria da Cultuar com a Igreja Católica. Depois de muitos anos sem ser realizada, a festa foi resgatada pela prefeitura na década de 90. De acordo com o presidente, a prefeitura assumiu a parte profana da festa e a igreja ficou responsável pela parte religiosa.          

- Hoje a nossa proposta é continuar apoiando-a e torná-la cada vez menos atrelada ao poder público, para que se fortaleça no meio popular e não fique refém do poder público. Uma das mais bonitas manifestações folclóricas e religiosas de nossa cidade precisa ser abraçada pela população. Só assim ela caminhará e terá vida infinita, como deve ser toda festa popular - afirma Roberto Peixoto.

A origem de tudo

Com manifestações religiosas e profanas, essa festa folclórica é realizada sete semanas depois do Domingo de Páscoa, no dia de Pentecostes, em comemoração à descida do Espírito Santo sobre os 12 apóstolos. Essa homenagem surgiu em Portugal, quando a rainha D. Isabel construiu a Igreja do Espírito Santo, em Alenquer. Após tornar-se um dos maiores festejos do país, a comemoração foi levada também às colônias, chegando à Angra dos Reis.

Ao todo, são dez dias de festa - sete de novenas e três de missas, procissões, a chegada do Menino Imperador, a libertação de um preso, passeata pelas ruas da cidade com as figuras tradicionais da festa (a burrinha, a vaca malhada e o bate-moleque), almoço para a comunidade, distribuição de pães e bolachas, coroação do Menino Imperador, danças no império (montado num grande tablado) e encerramento com a queima de fogos e do quadro "Glória".     

Das oito danças que eram feitas antigamente, cinco foram resgatadas. Na Dança dos Coquinhos, 32 crianças mascaradas, com capuz e roupas vermelhas com guizos - representam os filhos de escravos que dançavam para o Menino Imperador. A Dança das Jardineiras remonta as vendedoras de flores de Portugal. Com arcos floridos, 32 pessoas distribuem bolachas bentas durante a missa. Com lanças nas mãos, os 24 integrantes da Dança dos Lanceiros dançam uma valsa e representam o corpo de guarda do Menino Imperador.

Na Dança dos Velhos, 32 dançarinos representam os escravos que dançavam para o Imperador. Com roupas de chita e máscaras, são orientados pelo Velho com cajado na mão. Dançando sobre o desenho de uma âncora, os 36 integrantes da Dança dos Marujos cantam a "Barquinha Dourada" e apresentam o canhão (símbolo do mal) e a barquinha com um menino comandante (símbolo do bem). Uma queima de fogos encerra a apresentação.

O objetivo da Cultuar é que a Festa do Divino Espírito Santo ganhe nova ascendência na região, para que atraia um maior número de turistas. Para o presidente, a estratégia é aumentar a divulgação em toda a região e incluí-la em mais pacotes turísticos para alcançar nível nacional.

- Estamos contando com a participação da Igreja para divulgá-la em todas as comunidades, nas escolas e associações de moradores, e fazer com que todos conheçam melhor a história. Na região, vamos investir mais, enviando materiais promocionais para as prefeituras vizinhas - diz Peixoto.

Serviço

* Festa do Divino Espírito Santo - Os interessados em participar das danças têm até amanhã para se inscrever. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas das 10 às 22h, na Casa de Cultura Poeta Brasil do Reis (esquina da Rua do Comércio com a Avenida Raul Pompeia, s/nº, Centro) e no Convento São Bernardino de Sena (Morro do Santo Antônio, s/nº), das 9 às 19h. É necessário levar documento de identificação. Informações: (24) 3365-7221.


Fonte: Diário do Vale

Adaptado por Adriana
dricaangra2reis@gmail.com

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